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quarta-feira, 26 de abril de 2017

A Esquerda em Xeque

“Ter uma elite política dominando o cenário por muito tempo gera um risco e fragiliza os institutos de controle – especialmente na Bolívia e Venezuela. Ficam muito dóceis em questões de corrupção e desvios. Isso porque em muitos desses órgãos, que são colegiados, cabe ao Executivo indicar os membros”, afirma o cientista político da Fundação Getúlio Vargas, Carlos Pereira, especialista no assunto.
Uma das explicações para a atual situação deve-se, segundo o professor da Universidade de São Paulo (USP) Kai Enno Lehman, especialista em relações internacionais, ao fato de que grande parte dos partidos de esquerda terem perdido a oportunidade de mudarem o sistema político. “A esquerda fez parte do sistema. Não mudou o sistema político. A corrupção não é de um ou outro partido, está incluída no sistema”, afirma.

Na América do Sul, dos seis países que possuem hoje governos de esquerda, o único que teve transição recente foi o Chile. A nação elegeu Michelle Bachelet em 2006 e em 2010 foi eleito Sebastián Piñera, que pertence à direita. Em 2014, Bachelet voltou a vencer o pleito.






terça-feira, 25 de abril de 2017

1974, Álvaro Cunhal, Abril, Discurso à Chegada a Lisboa

1974, Álvaro Cunhal, Abril, Discurso à Chegada a Lisboa

Discurso de Álvaro Cunhal, no Aeroporto de Lisboa, em 30 de Abril de 1974

Amigos! Camaradas!

No vosso acolhimento vejo a expressão do apreço pela luta do Partido Comunista Português durante dezenas de anos de tirania fascista. Nela vejo também a expressão da confiança dos trabalhadores e dos democratasportugueses no papel que o Partido Comunista desempenha no momento actual e tem a desempenhar nas transformações democráticas que se impõem na vida política, social e económica da nossa pátria.

A classe operária. as massas trabalhadoras, a juventude, todo o nosso povo, todos os democratas e patriotas, os militares, podem estar certos de que, nas novas condições hoje existentes em Portugal, os comunistas continuarão a dar todas as suas energias, e a vida e necessário, na luta pela liberdade, pela paz, pela verdadeira independência nacional, pelas profundas reformas democráticas que estão ao nosso alcance.

Neste momento é essencial:

1. consolidar e tornar irreversíveis os resultados alcançados pelo Movimento das Forças Armadas de 25 de Abril e nos cinco dias desde então decorridos;

2. alcançar todas as liberdades democráticas, incluindo a da acção legal dos partidos políticos, e assegurar o seu exercicio;

3. pôr fim imediato à guerra colonial;

4. alcançar a satisfação das reivindicações mais imediatas das massas trabalhadoras;

5. assegurar a realização de eleições verdadeiramente livres para a Assembleia Constituinte.

São estes os objectivos essenciais na hora presente.

Reafirmamos que, no entender do Partido Comunista Português, a melhor garantia para a realização de eleições livres seria a constituição de um governo provisório com a representação de todas as forças e sectores politicos democráticos e liberais.

Reafirmamos que o Partido Comunista Português está pronto a assumir as responsabilidades respectivas.

O momento exige que se reforce na acção diária a unidade da classe operária, a unidade das massas populares - força motora das grandes transformações sociais; que se alargue e reforce na acção diária a unidade de todos os democratas e patriotas e se desenvolva impetuosamente a sua força organizada; que se reforce a aliança, a cooperação, a solidariedade recíproca entre as massas populares e os oficiais, sargentos, soldados e marinheiros de sentimentos democráticos e liberais.

A aliança do povo e dos militares é, na situação específica hoje existente, uma condição essencial para o progresso da democratização da sociedade portuguesa.

Pela nossa parte, tudo faremos para que se torne irreversível essa aliança, soldada desde o dia 25 de Abril até hoje.

Camaradas:

Os cinco dias passados alteraram radicalmente a situação política no nosso pais.

Daqui quero saudar o Movimento das Forças Armadas pela sua decisiva intervenção para o restabelecimento das liberdades essenciais e a Junta de Salvação Nacional, que neste momento desempenha as funções de governo.

Daqui quero saudar (e em vós e por vosso intermédio o faço) a classe operária, as massas trabalhadoras, que nunca se vergaram à ditadura e hoje participam activamente na liquidação do Estado Fascista e no empreendimento de medidas democráticas.

Daqui quero saudar todos os antifascistas e anticolonialistas, todos os democratas, nossos aliados de longos anos.

Daqui quero saudar todos aqueles que sofreram perseguições, foram presos, torturados, passaram longos anos nas prisões e nas severas condições de clandestinidade (e muitos ainda nela vivem, mas esperamos que em breve deixará de ser necessária), todos aqueles lutadores modestos, apagados, que consagraram os seus esforços, as suas energias, à luta contra a tirania, à causa da liberdade.

Daqui quero lembrar aqueles muitos que ficaram pelo caminho, que lutaram a vida inteira mas não viram o sol da liberdade, muitos assassinados com torturas ou a tiro pelo odioso bando da P. I.D. E. - D. G. S. agora dissolvida e extinta.

É necessário tudo fazer para que tais dias negros não voltem! Se soubermos unir-nos e lutar, não voltarão!

As tarefas que se colocam ante nós não são fáceis. Mas estamos habituados às dificuldades.

Unidos, venceremos!

Amanhã, 1." de Maio, jornada dos trabalhadores, a classe operária, as massas populares, todos os que desejam a liberdade, o fim da guerra, a verdadeira independência da nossa pátria, mostrarão a sua força imensa.

Estamos certos que a mostrarão dando grande exemplo de serenidade e de consciênciacívica e revolucionária.

Amigos! Camaradas!

À classe operária, a todos os trabalhadores, a todo o povo português, à juventude, às mulheres, aos oficiais, sargentos e soldados,
fazemos um apelo:

Unidos como os dedos das mãos, firmes, confiantes, vigilantes em relação à reacção que pode vir do passado, olhos no futuro,

Avante para a conquista definitiva da liberdade!

Avante para o fim pronto da guerra colonial!

Avante para a realização de eleições livres e a instauração em Portugal de um regime democrático escolhido pelo próprio povo!

segunda-feira, 24 de abril de 2017

Noticias do outro lado...25ABR74

Três dias depois da Revolução dos Cravos, que acabou com a guerra colonial, o matutino “Província de Angola” ainda tinha escrito na 1ª página “Visado pela Censura”. No 43º aniversário do 25 de Abril de 1974, o Expresso recorda 43 primeiras páginas dos jornais que se liam em Angola, Cabo Verde, Moçambique e na Guiné. São sete fotogalerias

Na véspera da Revolução dos Cravos o diário “Notícias da Beira” lembrava na primeira página que que a “maioria não branca não tem direito a voto” nas eleições da vizinha África do Sul” 







Para bom leitor meia palavra basta – e a nota sobre as restrições de direitos à população africana na África do Sul também se aplicava a Moçambique e restantes Províncias Ultramarinas, expressão por que passaram a ser designadas as colónias portuguesas depois da reforma constitucional de 1951.







 Em Angola, na véspera da Revolução dos Cravos, o vespertino “Diário de Luanda”, titulava na primeira página: “Durante a visita oficial a Madrid – O Primeiro-Ministro da Líbia Atacou a Presença Espanhola no Sará”. A Líbia de Mouammar Kadhafi – tal como outros países do Magrebe – não via com bons olhos a presença europeia no Sará; Abdussalam Jalloud aproveitou a visita oficial que realizou à Espanha de Francisco Franco para transmitir esta posição.

Este vespertino, o “Notícias da Beira”, “A Voz da Guiné” e “O Arquipélago”, de Cabo Verde, são os quatro títulos do conjunto dos sete que aqui mostramos que saíram no dia da Revolução.















 Fonte

CABO VERDE – DO 25 DE ABRIL DE 1974 À INDEPENDÊNCIA


Entrou no ARQUIVO / BIBLIOTECA, por aquisição,  um pequeno arquivo com cerca de 80 documentos (comunicados, tarjetas, originais dactilografados)  relativos à actividade política em Cabo Verde desde o 25 de Abril  de 1974 até à independência em 1975. Na sua maioria estão escritos em português, mas alguns estão em crioulo. O conjunto é muito interessante porque retrata a vida política de Cabo Verde nos primeiros meses após o 25 de Abril, antes da tomada de poder do PAIGC e da imposição do partido único. Vários documentos mostram a efervescência dos primeiros dias de liberdade, e tem origem em cidadãos e grupos ad hoc criados espontaneamente. Para além disso, neste arquivo,  estão representadas organizações como a União do Povo das Ilhas de Cabo Verde (UPICV) , que tinha sido fundada em 1959 em Rhode Island nos EUA, a União Democrática Cabo-verdiana (UDC) fundada após o 25 de Abril, e outras. Este breve período inicial de vida democrática de Cabo Verde desapareceu quando o PAIGC iniciou a perseguição dos seus opositores nas ilhas e prendeu muitos dos seus dirigentes e militantes e impediu a actividade legal destes partidos e organizações.

Capas dos jornais após 25ABR74











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